uandiarmadillo

No ayer, no manana, solo hoy

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  • uandiarmadillo 8w

    Gosto de pensar que há tempo.
    Gosto de pensar que sou jovem e que minha juventude é infinita nesse menor espaço de tempo singular.

    Todavia, os grandes palavristas;
    aqueles... únicos a conquistar a subverção do tempo e a predição do futuro.
    com anos em vocábulos,
    ternura e sentenças em versos,
    Enunciam manifestações de arrependimento,
    testemunham alma densa diante das singularidades do passado,
    deflagram tiros no peito, os quais aqui no presente ouço a fuzilaria.
    Afirmam que não olhariam o relógio e
    que não deixariam de ter pessoas ao lado por puro medo de ser feliz.
    Mágoas, desilusões, devido às pretéritas repressões de suas extensões de vida.

    Sou escravo dos sentimentos deste mundo
    e de minhas idiossincrasias.
    Liberto-me agarrando os meus amigos para dizer que são extremamente importantes para mim.
    Inclusive aqueles que, pelos intermédios da ausência de paciência com o perdão, insensatez,
    perdi com o engolir da vida e a maré do tempo.
    Aliso os cabelos das minhas paixões e as guardo em uma caixinha polida diariamente,
    no grande salão dos presentes e, na maioria das vezes, nas gavetas bagunçadas das memórias.
    Digo que gosto e que me preocupo.
    Tento amar duas, três, quatro, ene vezes todas essas coisas, pois acredito que as pessoas são perenes.
    Mesmo que desame, pois isso não é desamar.
    Bebo do néctar do qual nasci.

    Não desejo ser um grande palavrista. Não quero dizer que não disse.
    Não quero dizer que criei ilusões, pois odeio jogos e mágicas neste assunto.
    Desejo morrer em paz com minha juventude eterna.

    @uandiarmadillo

  • uandiarmadillo 11w

    Esperança

    Beijos que me dominarão por anos.
    Interrompidos por lapsos,
    no tempo;
    feixes de uma eterna cachoeira dourada.

    Tento adentrar a queda d'água, natureza,
    para beber um pouco mais de paz
    na vã ilusão de infinitude.

    Meu corpo arde, em turbilhão.
    Perdido cá estou
    devido a insipientes desejos.

    Afundo-me,
    Afogo-me,
    Vomito-me em desespero.

    alívio

    Os contornos da paisagem imanente
    se perdem em meio a traduções,
    vícios e memórias.
    olhos que buscam paixão,
    único furor de seus devaneios.

    Escalo, agora;
    seguro em raízes, perpasso pedras.
    Devagar. Tranquilo
    rumo ao rio acima.

    "Há muitas pedras e os morros são muito íngremes"
    — dizem-me alguns com os olhos doces.
    Você me pergunta se já tentei alguma vez,
    pois digo para nunca pensar que são todas iguais.

    E eu sigo apenas com a minha loucura
    que me faz rir entorpecidamente.
    Estrela cadente em noite escura.

    Para, ao chegar no topo,
    não haver mais tempo
    e eu ser à vontade
    com o silêncio.

    feche meus olhos
    deite junto ao meu corpo
    deslize pelo meu braço
    deixe que sua cabeça venha em meu pescoço
    deixe eu sentir um pouco do hálito quente de sua boca
    encoste sua coxa, passe sua perna entre as minhas
    não descole das minhas costas
    não descole das minhas costas
    fale
    me sinta
    e me toque

    primavera de meu peito,
    sorriso que reluz
    contra os raios da alvorada,
    durma comigo em sono profundo.

    @uandiarmadillo

  • uandiarmadillo 23w

    Descalço, à margem
    O inverno do gélido solo úmido
    Por entre meus dedos
    Sóbre o meu corpo

    A primeira raiz enlaça o dorso
    Da minha mais primitiva conexão com essa terra
    Em um frenesi, inúmeras entreleçam-se.
    Enlaçam-me.
    Puxam-me.
    Curvam-me
    Para o solo

    O instinto me arremessa ao rio
    Infinito
    Rubro e negro de lado a lado.
    Vermelho escuro, calmo;
    Sereno

    No mais profundo, todas as imagens conhecidas me circundam esfericamente,
    Todo meu passado, todo meu futuro
    Preenchem a vastidão, brancas
    Sem faces, só contornos
    Entidades verônicas,
    Sem forma,
    Auroras

    Assentidas apenas por um ciclo permanente de deja-vus
    E de coincidências

    (...)

    Percebo um pedaço vazio.
    Me arremesso, saio do centro

    Flutuo lentamente para o meu lugar na esfera.
    Contemplo




    Todas as paisagens se revelam



    ©uandiarmadillo

  • uandiarmadillo 25w

    Viajantes companheiros

    Eu me esforço muito para não sentir
    Eles, por sua vez, não gostam

    Extensões da minha alma! Queridos, amados
    Adoradores das mesmas peças que eu

    O silêncio que menospreza
    Os dedos que deslizam, pouco, o copo
    O óculos que sobe pra junto da testa
    Eles não mais saboreiam meu canto

    A competição cansa até os melhores esforços de amor

    Uma chaminé que ofusca o sol
    Uma mão que cerca tua nuca
    E a força contra o chão

    Levanta
    E bate
    Levanta
    E bate
    Levanta
    E bate

    Ganhou?

    E bate

    Sim, ganhei
    (...)
    Perdeu
    Perdeu
    Cansastes tão rápido
    Policiastes tão pouco que
    Perdestes

    Agora canto dentro da redoma
    Pois minha face ensanguentada
    Quase me fez querer violência

    Mas eu bato
    Tbm
    Oras

    ©uandiarmadillo

  • uandiarmadillo 27w

    Cambacica

    O pássaro que protagoniza minha vista
    Volta e meia brota novamente
    Esgueiro e exibido, é como uma ametista
    Mas não me protege da bebida quente
    (Ainda)

    Como a conversa que vem sozinha
    Reaparecendo na conquista e na risada
    Como o filme que não disse, e não diz, nada
    Mas que besabrochou sua covinha
    (Linda)

    Eu deixo escorrer pelos dedos
    (constantemente)
    As rimas do Universo

    Eu vivo seus medos
    (aprisionadamente)
    Sem aproveitar seu verso

    Sem ouvir seu canto

    Pois o canto do cambacica não surpreende
    Não prende, não desprende e, para alguns, arrepende
    Apenas conheço seu desejo de cantar de novo para mim
    Notalvelmente sorrateiro

    Agora curvo minhas orelhas para seu canto
    Aproveito cada melodia pois sei que haverá retorno
    Utilizarei-me da sua beleza para criar um pouco mais

    De acalanto

    Amor

    Vou fazer poesia

    ©uandiarmadillo

  • uandiarmadillo 35w

    Cores

    Muito acima das nuvens e das montanhas
    Eu olho teu espirito acinzentado
    Sei muito bem como tu és
    Que preferes todas as cores de uma vez
    Mesmo que por um breve tempo

    Mas tu sabes que a graça é maior
    Após a certeza da falta de esperança

    O sorriso é maior
    Após longas visões
    De rachaduras ao chão

    (Todas as cores ficam ainda mais lindas com preto)

    E então tu encontras meu cartão postal
    Meu presente
    Meu anjo

    É um presente em inúmeras formas
    Mas tu sempre só enxergas por uma via
    Por isso tu choras
    Cambalea sentindo as flechas da desolação
    Se segura nas paredes sem estar bebado
    Molhas teu lindo rosto
    Por se sentir sozinho
    Mais uma vez

    Filho, continue em busca da graça prolongada
    Pois nada é eterno como tu bem sabes
    Mas tu tens dentro do teu coração
    O desejo de estar pintado
    E pintar
    Com várias cores

  • uandiarmadillo 36w

    Francia

    Vazio de novo
    De novo

    O carro passa
    A folha faz sua dança
    E repousa atrás dele
    Para sempre

    Mergulhei no oceano novamente
    E o que vi
    O brilho de pérola ao fundo
    Sorriso imediato
    Lágrima no olhar
    Sabor na boca
    Ser alguém que sou
    Mas não costumo ser
    Amor

    Porém meu oceano a esconde
    Eu a vejo
    Menor
    Menor
    Menor
    Meno
    Men
    Me
    M
    .

    Pois só consigo amar em poesia
    E poesia te esconde
    Sentes medo
    E escolhes me deixar ao meu vazio

    Agora subo as escadas e tropeço
    Seguro os corrimões
    Sem estar bêbado
    Meu corpo se inclina sem ser velho
    Diante da dor

    Cada pensada em falso
    Um novo punhal
    Que me faz voltar
    A posição primordial
    ©victorolidias

  • uandiarmadillo 51w

    Apenas

    Talvez hoje eu esteja lembrando demais dela
    Ou da pessoa que fiz ela ser
    Apenas da minha mente
    Ou do meu coração

    Eu sei que no fundo não temos nada em comum
    Mas o momento fez ter tudo
    Que é preciso ter

    Nada, mas tudo

    Apenas mais duas cordas dançando na orquestra
    Juntas, uma ouve a outra
    Uma samba com a outra

    Mas que agora vibram em instrumentos diferentes
    Orquestras diferentes
    Cidades diferentes
    Países diferentes

    Tão longe...

    Ó meu coração, por que choras?
    Por que sentes tanta falta daquele minúsculo espaço de tempo?
    É o medo de não se sentir assim novamente?
    Coisas a ciência e a religião não explicam
    Um ser se sente assim às vezes
    Apenas
    ©victorolidias

  • uandiarmadillo 56w

    Bloqueio

    Cinco, seis, sete
    Números de passos
    Que elas dão para trás
    Para me enxergar

    Não aguento mais
    Essa metodologia instantânea
    Impositiva
    Essas mensagens puta que pariu

    Prefiro me abster
    Vou me abster desse processo
    De conhecer alguém
    Alguém que realmente valha a pena
    Sem sentir de verdade

    Conhecer de verdade, sabe?
    Tipo... naturalmente
    Uma conversa realmente
    Como duas pessoas
    Duas auras alisando suas margens

    Seus trejeitos, manias ao falar
    O canto de boca que entorta

    Eu converso com a merda de uma foto
    ©victorolidias